11 junho 2014

Futebol, Muito Negócio E Pouco Esporte / Diversão E Manipulação

FOI DADA A PARTIDA
Copa do Mundo Da FIFA. Sem dúvida um dos maiores e mais emocionantes espetáculos da Terra. O melhor de cada país em jogo, literalmente. Isso desperta um sentimento patriótico raramente visto no Brasil. Quem dera esse sentimento fosse igualmente distribuído nos gestos habituais da vida de cada brasileiro.

Bom, mas este não é um texto sobre a Copa 2014.

E se as pessoas tivessem em vista ,que, o espetáculo do futebol é um produto a ser vendido como outro qualquer, que visa lucros sem limites e que, os vendedores farão de tudo pra atingirem a meta? Bom, qualquer um que concorde viver numa sociedade que o tempo todo prega o consumo desnecessário gosta de comprar coisas. Quem não gosta? E, o evento em questão é emoção garantida, não acha? Até aí não há problema algum.

O problema está na compulsão, na falta de limites, na quantidade a que nos condicionam a esses consumos desnecessários.(Mas esse é um assunto especial que será tratado no devido momento, no mais, veja aqui uma introdução)


DIVERSÃO E MANIPULAÇÃO
primeira parte da série FUTEBOL, MUITO NEGÓCIO E POUCO ESPORTE

Futebol é um esporte bonito e saudável como muitos outros. Principalmente pra quem joga profissionalmente ou está ligado, mesmo que indiretamente a empresa ou clube de futebol. Mas o esporte é bom, também, pra quem apenas vê e admira, em especial o torcedor sócio ligado aos benefícios do clube. Sem contar que o esporte em si  tem  um importante valor social. Contudo, o moderado espírito de competição é bastante saudável para todos.

MEIO DE CAMPO EMBOLADO
INVERSÃO DE VALORES E UM DOS MELHORES NEGÓCIOS DO MUNDO

Porém,  a cultura construída em torno do futebol, hoje, mais que antigamente, talvez seja a que mais encabresta o povo brasileiro, manipulando seu comportamento para o consumo impensado. De camisas, artigos e ingressos, passando por transportes, hospedagens, bebidas alcoólicas, jogadores milionários, TVs por assinatura, até jogos de asar e gordos impostos arrecadados pelo governo e, que não retornam devidamente a população em forma de melhorias, fazem parte da gigantesca industria sustentada pelos fãs de futebol. Em princípio parece ser uma troca comum. Você investe um pouco de grana em ingressos, artigos, veste a camisa, sai pelas ruas demonstrando sua paixão pelo clube do coração e, eles te dão a emoção e o orgulho no peito. Mas não é só isso. O ganho com a exploração econômica sobre a cultura futebolística é sem dúvida um dos melhores negócios do mundo. Inclusive, tem um dos melhores marketing da Terra, e de graça(será?); já que a própria mídia empresarial ganha com isso.(A mídia sempre ganha alguma coisa , pois o jogo dela é ficar do lado do mais forte, mas isso é outro assunto) E assim, toda revista ou jornal de esporte é na verdade de futebol, dando pouquíssimo espaço para outros esportes. Sobretudo, o fã de futebol comenta o tempo todo sobre os clubes. Não há uma barbearia, escritório ou estabelecimento qualquer que se possa ir sem ouvir falar do esporte. O fã defende seu time com unhas e dentes e acha que é parte do time. Muitas vezes sem, ao menos, ser sócio usufrutuante dos benefícios do clube, ele diz: a gente vai jogar, a gente foi campeão e por aí vai. Sem falar nos confrontos de torcidas com brigas até  a morte. 

Dependendo do nível do fervor que se é empregado no culto futebolístico, a palavrinha fã pode revelar sua verdadeira origem e sentido; fanático, fanatismo.(Outro bom assunto) Em que outra situação no mundo, uma palavra tão negativa seria vista com um sentido tão positivo? (Talvez na música, mas isso também é outro assunto)

Este é um ponto que devemos ficar atentos. Será que essa inversão de valores é útil? Quem são os maiores beneficiados com isso? Reflita! Um ser humano chegar ao ponto de manifestar mais amor a uma empresa com fins lucrativos, que nem tem contato, do que a um familiar, irmão, mãe, filho. Alguns gastam o que não podem pelo clube, a cerveja da comemoração tem que ser a melhor, enquanto o leite do filho pode ser o mais barato. Aí, se embebedam, pulam, gritam, rolam no chão, fazem promessas, beijam a boca do amigo, clamam a Deus, choram...E às vezes não se manifestam com a metade desse amor por um familiar...

ESQUEMA TÁTICO DA MÍDIA
A mídia empresarial tem um papel importante nisso tudo.
Pra ela também é um bom negócio. Ela fortemente incentiva o brasileiro a pensar que não pode viver sem cultuar o futebol. Então ganha com audiência e propagandas relacionadas. O destaque dado ao futebol é tanto que faz muita gente pensar que outros esportes não têm valor. Às vezes chegam a desrespeitar outros esportes e atletas. 


Quando alguém consegue se destacar em outro esporte, o que é muito mais difícil no Brasil, logo surgem repórteres oportunistas e, ao invés de darem parabéns em dobro e o dobro do espaço e atenção ao feito, levam uma bola de futebol, pedem para que o atleta mostre o que sabe fazer com ela e perguntam para que time de futebol torce.

São tantas estatísticas e informações sobre futebol propagadas no meios de comunicação. Será que as pessoas acham mesmo isso útil? Ou só os fanáticos acham? Quantos títulos fulano ganhou, onde fez o primeiro gol, o tamanho da chuteira, o que gosta de fazer sábado a noite, qual a cor da cueca de sorte...
FINAL
Tenho certeza que muitos brasileiros têm vontade de dizer abertamente: -Eu não torço pra nenhum Clube, por que eu deveria?
Particularmente eu diria: torço pra minha família e amigos. Quer parecer anti-social? É só dizer que não torce pra nenhum time. Podem te achar estranho, podem pensar que você é um infeliz, um doido ou um religioso extremo e até te chamarem de Gay. Coitado dos gays.

Não é que torcer seja ruim, moderadamente é bastante saudável. No mínimo entretém o povo que poderia estar se ocupando com coisas menos úteis. Ir a um jogo é bastante divertido, dá pra conhecer pessoas, brincar, cantar, vibrar com a competição... pena que nem sempre é acessível a todos, às vezes custa muito caro. Ora, os jogadores precisam ser bem pagos. Imagina, então, quanto ganham os clubes e as organizações por trás dos jogadores. Pena também que, às vezes é perigoso ir a um estádio, justamente por causa do fanatismo extremo, que gera violência e morte.

MORTE SÚBITA
Contudo, se o sentido da vida for ser feliz, não haveria problema algum se esses fanáticos, dos menos periculosos aos mais extremos, fossem  felizes com o que fazem e ainda  contribuíssem para a satisfação e felicidade da sociedade a sua volta também; o que é bastante discutível, pois, o que se tornou a cultura em torno do futebol, fortemente condicionada e objetivando primeiramente gerar lucros, deixa visível diversas injustiças, desigualdades e a falta de Democracia.
Música do dia
Tema não oficial do Brasil na Copa 2014